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O COLÉGIO BRASILEIRO DE JURADOS DE PISTA E AS EXPOSIÇÕES NO BRASIL

01 Jan Foi realizado, em Barbacena, o Curso de Reciclagem e Atualização do Colégio Brasileiro de Jurados de Pista, que conta atualmente com 27 membros ativos. A grande maioria desses jurados reúne as condições para julgar as principais exposições do País, porém este privilégio ainda é reservado a americanos e canadenses, embora em seus próprios países haja alternância entre jurado nacional e jurado estrangeiro.

 

 Acredito que a maioria dos leitores não conheça o Colégio Brasileiro de Jurados de Pista, orgão que faz parte da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa – ABCBRH – porém sem vinculação hierárquica, administrativa ou financeira com a entidade máxima da Raça Holandesa no Brasil.
O Colégio de Jurados, composto atualmente por 27 membros ativos, tem como principal missão formar e manter atualizados os jurados, e indicá-los para as exposições de gado holandês, homologadas pela ABCBRH, em todo o País.
Na minha opinião, as exposições, juntamente com o Registro Genealógico, o Controle Leiteiro Oficial e a Classificação Linear para Conformação, são  ferramentes fundamentais, que estão  à disposição dos criadores e produtores, para o melhoramento genético.
 Os membros do Colégio de Jurados são veterinários, zootecnistas, agrônomos ou pessoas de outras formações, que têm em comum o sólido conhecimento da raça holandesa e a paixão por ela. Para fazer parte deste seleto grupo, o jurado precisou participar de curso específico de formação, foi submetido a um rigoroso teste de seleção com muitos candidatos para pouquíssimas vagas e, em seguida, a um treinamento prático que consiste em realizar vários julgamentos acompanhados por jurados experientes, para então ser admitido no quadro do Colégio e estar habilitado a julgar exposições.
A cada dois anos, esse grupo se reúne para um Curso de Reciclagem e Atualização, realizado cada vez em um Estado diferente, que tem por objetivo uniformizar os critérios de julgamento dos animais em pista e avaliar, discutir e incorporar  novos conceitos e características que tornem possível a evolução da raça.

Nos período de 21 a 24 de março de 2012, em Barbacena, por delegação da ABCBRH, a Associação Mineira, juntamente com o Colégio de Jurados, organizou o Curso de Reciclagem, que ofereceu, concomitantemente, um Curso de Julgamento aberto para criadores, técnicos, veterinários e ao público em geral.

Tive a oportunidade e a felicidade de poder participar desse Curso e, como a grande maioria dos presentes, fiquei muito impressionado com a organização e qualidade do evento, tanto pelo conteúdo como pela sua condução. Ele foi composto por uma parte teórica e, na seqüência, por uma parte prática em que os participantes tiveram a oportunidade de ordenar 8 categorias de fêmeas (4 de gado jovem e 4 de vacas).
Aprendi muito sobre a vaca holandesa, como enxergá-la, como posicioná-la em uma pista, mas aprendi, sobretudo, a admirar a figura do jurado, principalmente quando senti na pele a dificuldade em ordenar os animais e a explicar as razões para o sequenciamento adotado. É bem mais fácil estar do lado de fora da pista de julgamento e discordar do jurado ( e eventualmente criticá-lo), quando o seu animal não é bem classificado!!!!
 O evento teve como Monitor / Instrutor  e Jurado de Referência, o canadense Brian Carscadden, um dos mais conceituados jurados da atualidade. Brian julgou por diversas vezes no Brasil, inclusive a EXPHOMIG 2011, em Barbacena.
Atuou em várias partes do mundo, inclusive nas duas exposições internacionais de maior prestígio e visibilidade, a World Dairy Expo em Madison/USA, em 2008, e a Royal Winter Fair em Toronto/Canadá em 2011.
Essas duas principais exposições, no mundo, alternam os jurados, ora convidando um jurado estrangeiro, ora um de seu país.
Pensei bastante sobre essa alternância, e a vejo como muito saudável. O rebanho da raça holandesa, no Brasil, tem evoluído muito e de forma constante. Temos criatórios nacionais que pouco ou nada devem aos dos países líderes em genética e produção por animal. Temos técnicos, pesquisadores e professores de muita competência e capacitação, muitos deles se destacando em outros países.
Precisamos valorizar, prestigiar  e divulgar mais o que é nosso. Estou certo de que, em nosso Colégio Brasileiro de Jurados de Pista, há várias pessoas com experiência e conhecimento de sobra para julgar as mais importantes exposições de gado holandês do País, como a Nacional de Holandês (durante a FEILEITE/ SP), a AGROLEITE (em Castro, PR), a EXPHOMIG (Estadual de Holandês de Minas Gerais), a Nacional de Holandês Jovem (em Itanhandu/ MG). Deveríamos promover a alternância nessas exposições (algumas dessas já a praticam) e, com isso, ficar abertos à interação com a comunidade mundial e, por outro lado, fortalecer a capacitação de nossos jurados para participar de forma mais ativa no cenário internacional.
Cabe a nós, produtores, criadores e expositores  pressionarmos os organizadores das exposições, inclusive as Associações, nesse sentido.

 

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